"O que não é vida é literatura".
José Saramago- Nobel de literatura.
"Eu tenho um grande medo desse negócio de ser normal".
John Lennon
"Não tem filho-da-puta em lugar nenhum que saiba o que vai fazer sucesso".
Ray Charles
John Lennon esteve aqui ontem à noite...
O material que está sendo apresentado neste livro, corresponde a uma grande quantidade de papéis encontrados sobre a mesa de um bar. Não houve possibilidade de saber a sua verdadeira origem. Os fatos e as pessoas aqui descritas, podem ser verdadeiros como, o mais provável, totalmente fictícios. Não há como saber. A estranheza do conteúdo e o seu abandono (proposital?), num barzinho da cidade, nos fizeram, transformar em livro tão estranho relacionamento.Embora se trate de um triângulo, nada tem de amoroso. É, antes de tudo, o relato, quase diário, de um curioso personagem de nome John, que embora afirme ser o cantor e compositor inglês, em nada, com aquele, guarda semelhança. Por ser tão incrível, não ousamos interpretar o que os escritos contêm, deixando ao leitor a tarefa de acreditar, ou não, no que aqui se relata.
O editor.
A quem possa interessar:
A quem encontrar estas páginas, sujas de mijo, cuspe, lágrimas e gordura de pastel, pedimos, ou melhor, rogamos, que as destrua. Não queira, seja quem for, sob nenhuma circunstância, ler uma só palavra deste, digamos diário, sob pena de arrepender-se para sempre de ato tão impensado. Se não o fizemos, destruindo-o com as próprias mãos, ou atirando-o às chamas ou quem sabe ainda, jogando-o na privada, seu mais apropriado destino, foi tão somente porque não pudemos. Fomos fracos desde o inicio, como atestará, quem tiver a coragem de ler. Acredite, mesmo agora, depois de tudo e de tanto tempo, nossas mãos ainda tremem ao levar a bebida aos lábios rachados, os cigarros escapam à boca e nossos sovacos ainda ficam úmidos. As páginas que se seguem, estão cheias de marcas.Impressões. Estranhas digitais, gravadas à meleca de nariz, molho de catchup e restos de almoço, por alguma coisa entre um ser humano e um animal. Todo este material contém suor, sangue e peidos que, em conseqüência destes últimos, nos levaram várias vezes às lágrimas.Um ser que atravessou, ou seria melhor afirmar, atropelou, ou ainda, atingiu nossas vidas, deixando tão somente escombros. Durante um tempo que não podemos precisar com exatidão, tão turvada esteve nossa mente, convivemos com uma pessoa a quem a definição: "Estranha" é o mínimo que se pode dizer. Tudo que dele se ouviu ou se soube, tentamos relatar nestas poucas páginas. Sabemos que não é muito para uma personalidade tão diversificada, mas será por certo o suficiente para justificar nosso ato.Não reproduzimos aqui parte de nossos dias com tal energúmeno para outro fim, que não acautelar o mundo sobre os loucos que andam à solta e os idiotas que os seguem. John era o louco. Nós os idiotas. Quando tudo começou? Já o dissemos: não há como saber.Mas como terminou, sim.(Se é que terminou.). Seu nome? John. E tudo, ainda que pareça o contrário, resultou de uma amizade de anos, uma amizade banal entre três pessoas, como ocorre a toda hora, em qualquer lugar, bem simples assim. John acreditava que era o que não era, e nos convenceu que não era o que era, sendo e não sendo ao mesmo tempo o que era, mas afirmando ser, o que não era, enquanto dizia ser outro, não o era, simultaneamente, bem simples assim...