Era uma vez, há muito, muito tempo, dois irmãos, um dos quais era Ourives e outro era Paupérrimo e ganhava a vida fabricando vassouras. O primeiro tinha o coração duro e a alma perversa, enquanto o segundo era muito bom e tinha dois filhos que iam muitas vezes à casa do tio rico para comer os restos dos seus jantares.
Um belo dia, enquanto o irmão pobre caminhava pela floresta, recolhendo os ramos secos que deviam servir-lhe para fabricar as vassouras, levantou o olhar para o cimo de uma árvore e viu uma magnífica ave de penas douradas que cintilavam como se fossem de metal. O bom homem pegou em uma pedra e atirou-a contra a ave, que fugiu assustada, deixando cair uma pena das suas asas. O irmão pobre recolheu-a e levou-a logo ao irmão rico que, depois de tê-la examinado com grande atenção, disse:
- Mas isto é ouro puríssimo! Pagar-to-ei em proporção ao seu peso.
O pobre diabo recebeu o dinheiro, e na manhã seguinte voltou à floresta, ocupando-se a cortar alguns ramos de uma bétula. Justamente naquele instante, a ave das penas de ouro surgiu de um emaranhado de ramos, erguendo vôo a grande altura. O bom homem examinou atentamente o ponto de onde surgira a ave, e descobriu um ninho no qual se achava um ovo de ouro.
Na mesma tarde o levou ao irmão, que o examinou atentamente e, depois de tê-lo pesado, exclamou:
- Também este é de ouro puríssimo; pago-te pelo que vale.