Pinheiro - Sr. Cardoso
Venâncio Alves - Sr. Pimentel
Elisa - Sra. D. Maria Fernanda
Lulu - Sra. D. Jesuína Montani
Atualidade
EM CASA DE PINHEIRO
Sala de visitas
CENA I
Elisa, Venâncio Alves
ELISA - Está meditando?
VENÂNCIO (como que acordando) - Ah! perdão!
ELISA - Estou afeita à alegria constante de Lulu, e não posso ver ninguém triste.
VENÂNCIO - Exceto a senhora mesma.
ELISA - Eu!
VENÂNCIO - A senhora!
ELISA - Triste, por que, meu Deus?
VENÂNCIO - Eu sei! Se a rosa dos campos me fizesse a mesma pergunta, eu responderia que era falta de orvalho e de sol. Quer que lhe diga que é falta de... de amor?
ELISA (rindo-se) - Não diga isso!
VENÂNCIO - Com certeza, é.
ELISA - Donde conclui?
VENÂNCIO - A senhora tem um sol oficial e um orvalho legal que não sabem animá-la. Há nuvens...
ELISA - É suspeita sem fundamento.
VENÂNCIO - É realidade.
ELISA - Que franqueza a sua!
VENÂNCIO - Ah! é que o meu coração é virginal, e portanto sincero.
ELISA - Virginal a todos os respeitos?
VENÂNCIO - Menos a um.
ELISA - Não serei indiscreta: é feliz.
VENÂNCIO - Esse é o engano. Basta essa exceção para trazer-me um temporal. Tive até certo tempo o sossego e a paz do homem que está fechado no gabinete sem se lhe dar da chuva que açoita as vidraças.
ELISA - Por que não se deixou ficar no gabinete?
VENÂNCIO - Podia acaso fazê-lo? Passou fora a melodia do amor; o coração é curioso e bateu-me que saísse; levantei-me, deixei o livro que estava lendo; era Paulo e Virgínia! Abri a porta e nesse momento a fada passava. (Reparando nela). Era de olhos negros e cabelos castanhos.
ELISA - Que fez?
VENÂNCIO - Deixei o gabinete, o livro, tudo, para seguir a fada do amor!
ELISA - Não reparou se ela ia só?
VENÂNCIO (suspirando) - Não ia só!
ELISA (em tom de censura) - Fez mal.