Era uma vez um homenzinho muito mal feito, torto e de pernas arqueadas, corcunda e zarolho, capenga e corcovado, tão feio e tão cômico que inspirava piedade e riso.
Chamava-se Tibúrcio, por alcunha Tiburcinho.
"Tiburcinho, Tiburcinho, como foi que aconteceu sêres assim tão feinho?"
dizia-lhe a mãe.
"Tiburcinho, que farás? Que ofício escolherás?"
perguntava-lhe o pai que, como a esposa, se fazia velho e não sabia onde empregar aquele desgraçado filho de quem todos se riam.
- Serei bobo da côrte - disse um dia Tiburcinho -. Irei ao palácio do rei e fá-lo-ei rir com os meus momos.
- Oh! Oh! - exclamou o pai, olhando para a esposa -. Escuta só o que diz o nosso filho.
A mamãe deixou pender a cabeça, com ar de comiseração.
- Não digo isso por brincadeira, fiquem sabendo - insistiu Tiburcinho -. No papel de bobo às vezes se faz fortuna.